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No Pescoço do cisne

Galeria Mais silva, porto, 2026

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© Créditos fotográficos: Filipe Braga / Galeria Mais Silva

No pescoço do cisne (2026),
Vista de instalação.

No Pescoço do Cisne começa como um exercício especulativo em torno de conjunto de anedotas provenientes da biografia do artista alemão Kurt Schwitters (1887 – 1948), em particular durante o seu período de exílio em território britânico. 
     Conta-se que o primeiro quarto em Ambleside onde Schwitters morou era propriedade de uma senhoria muito maçadora. Para além de estar constantemente a recomendar o que se poderia ou não fazer no espaço, possuía uma carpete branca que prezava tanto que viu necessidade de impor um horário de entradas e saídas para o artista, que era comum chegar sujo a casa, após ter estado a pintar ao ar livre. Este desconforto provocado pela inultrapassável sensação de ser tido como intruso naquele novo espaço, tornou-se o mote para a produção das imagens.  

     No Pescoço do Cisne propõe um diálogo com a arquitetura doméstica e a brancura da Galeria Mais Silva, no Porto, a partir do recurso a dois materiais: fumo e tapetes. As obras existem numa tensão entre controlo e expansão, organicidade e constrangimento, executando ora gestos de prolongamento do branco das paredes, ora tentativas de rutura, ao introduzir por via dos desenhos de fumo, rachadelas, bolor, sujidades e outras imperfeições num ambiente exageradamente limpo. 
     No Pescoço do Cisne invoca o imaginário das fábulas para conceber um espaço onde a presença do corpo está sempre em negociação.

Para ler o texto da folha de sala: Com o tempo preso na garganta, ou a última partida de Laila Algaves Nuñez​

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© Créditos fotográficos: Filipe Braga / Galeria Mais Silva

No pescoço do cisne (2026),
Vistas de instalação.

Instalação constituída por:
 

  1. Fumo sobre madeira preparada com tinta acrílica.

  2. Tapetes.

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© Créditos fotográficos: Filipe Braga

A dim bulb (2026),
Caixa de sapatos, led, tapete.
Dimensões da caixa de sapatos: 21,7 x 34 x 14 cm.
Dimensões do tapete: 108 x 204 cm.

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© Créditos fotográficos: Joana Patrão

No pescoço do cisne (2026), 
Detalhes da instalação.

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© Créditos fotográficos: Tiago Madaleno

No pescoço do cisne (2026),
Fumo sobre madeira preparada com tinta acrílica.

  1. Não haverá mais bichos debaixo dos tapetes. (2026), 50,8 x 41 cm.

  2. Talvez o teu nome passe a soar-te estrangeiro, como se não pudesses mais reconhecê-lo. (2026), 43,5 x 41,3 cm.

  3. Irão sumir-se as larvas que rastejam pelo chão, assustadas, à procura de refúgio. (2026), 50,8 x 41 cm. 

  4. A cantiga suspensa das moscas será engolida por um dilúvio de branco e no reflexo das suas águas poder-se-á ler que a alegria irresponsável dos voos terá que esperar. (2026),                 47 x 70 cm.

  5. O verão terminou com a convicção de um primeiro prémio entregue por engano. Silencioso e pueril. (2026), 49 x 38,7 cm.

  6.  Durante a temporada das fogueiras, a lembrança de calor será a nova lei, os urros dos animais virão do ranger da madeira a espreguiçar-se e a casa não terá mais lugar para ti. (2026),  41 x 50,8 cm.

  7. Todas as casas se regem por princípios de exclusão. (2026), 63,5 x 51 cm.

  8. O desejo de conforto esconde-se por detrás de um fervor disciplinado. (2026), 77 x 54 cm.

  9. O sentido das fábulas ficará oculto debaixo da neve que se foi acumulando sobre a página. (2026), 41 x 50,8 cm.

  10. Passará a questionar-se o seu valor. (2026), 49 x 38,7 cm.

  11. Os cisnes serão fantasias, quase sombras, nos malabarismos de dedos curvos.​ (2026), 50,8 x 41 cm.

  12. ​Dedos também eles enfaixados de branco, ostentando anéis ortopédicos, como se brincassem de casamento, com as suas juras e compromissos. (2026), 50,8 x 41 cm.​

  13. Os latidos dos cães não terão dono novamente, serão a língua do sofrimento universal. (2026), 44,3 x 59,5 cm.

  14. Imagens tão cruéis, que só se permitem vislumbrar por instantes, antes da névoa as cobrir de novo. (2026), 50,8 x 41 cm.

  15. As flores repousarão sobre a frescura perdida com o deleite fúnebre de um bouquet colorido. (2026), 50,8 x 41 cm.

  16. Das suas pétalas cairá uma fuligem negra, espécie de orvalho invertido ou manifestação fantasma de uma natureza ainda acostumada a rituais antigos. (2026), 47 x 70 cm.

  17. Esse choro terá que ser limpo com a mesma prontidão animalesca com que se acorre a uma criança recém-nascida. (2026), 49,5 x 44,3 cm.

  18. Sem hesitar, com os dentes cerrados, inclementes. (2026), 50,8 x 41 cm.

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© Créditos fotográficos: Tiago Madaleno

No pescoço do cisne (2026),
Fumo sobre madeira preparada com tinta acrílica.

  1. Apenas o som abafado de um relógio desbragado. (2026), 41 x 50,8 cm.

  2. Talvez novos ninhos se venham a formar nos cantos mais escuros da casa, lá onde a cegueira não pode chegar com igual intensidade. Mas não para já. (2026), 54 x 77 cm.

  3. Das paredes surgirão, com insistência redobrada, as regras, os regulamentos, as marcações subentendidas, os reparos, as pequenas preferências, os horários de utilização que sempre constituíram a partitura do espaço. (2026), 62 x 74 cm.

  4. Também aqui os móveis se devem fazer silenciosos, para que apenas se pressinta o batimento do relógio atravessado na garganta. (2026), 62 x 74 cm.

  5. A moral deixará de caber na boca dos animais. (2026), 41 x 50,8 cm.

  6. Dedos que, até então, se tinham desacostumado do toque para se entregarem à dança. (2026), 41 x 50,8 cm.

  7. A noite ficará escondida debaixo da alvura das penas, feita ambição desnecessária. (2026), 47 x 70 cm.

  8. A inspiração para o altar de imagens de porcelana, tão polidas que o brilho se confunde com a palidez da parede. (2026), 41 x 50,8 cm.

  9. Com o mesmo desvario com que se persegue a felicidade num mundo insensível. (2026), 41 x 50,8 cm.

Copyright © 2026 Tiago Madaleno. 

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